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Eu “Do outro lado da Lua”

segunda-feira, agosto 16th, 2010


FOTO: SERGIO CADDAH
FIGURINO: VERA QUEIROZ

Estou no meu quarto cd, e desde o primeiro sempre explorando a compositora juntamente com a cantora. Uma empreitada dupla. Alguns dizem que eu sou maluca, que deveria regravar sucessos e só depois me criar como compositora, o que eu discordo veementemente. Acredito que minha personalidade como cantora tem como base minha composição. Tive a oportunidade de já na minha estréia fonográfica contar com a trilha de uma novela das oito, o que me estimulou ainda mais em ser compositora.

Sou do Piauí o que me faz ter influências da música nordestina, da música popular do Brasil, porém passei por influências muito ecléticas, uma vez que o Piauí não tem uma identidade musical clara. Estudei violão na escola de música de lá e escutei muito música mineira, bossa nova, jazz, além de claro, ter uma passagem afetiva pelo rock dos anos 80, pois fui adolescente nessa época.

Já no Rio de Janeiro, cantei por cinco anos na noite, o que me deu muito jogo de cintura e a percepção do que agrada e emociona as pessoas. Cantei também numa banda judaica em hebraico, em idish e turco, o que me deu noção harmônica e melódica da música oriental. Além disso pesquisei por anos a música brasileira desde a passagem do século até os anos 60, sem contar que fui cantora da Banda Blitz, unindo a performance e o humor a essa eclética formação.

Minha cantora tem na veia a minha compositora, mas a minha compositora é formada por todos esses caminhos musicais que passei. Sou capaz de fazer muitos tipos de música, sem que com isso esteja atirando pra todos os lados, e sim dando coerência ao meu histórico musical, ele sim, é incoerente e irregular.

Não suporto rótulos, uma vez que não os tenho, pois sou uma porção de coisas. Mas uma coisa é certa e definitiva, gosto de uma linguagem direta, e não gosto de coisa morna, tudo tem que ser forte pra mim, gosto de voz na garganta, não gosto de falsette. Claro, sem gritaria, mas com emoção. Sou quente, de sangue nordestino, alma de cigana e nem de longe sou blaiser.

Venho trabalhando minhas próprias canções e com elas venho arregimentando fãs da minha musica, da minha linguagem. São poucos ainda, mas são sinceros.

E voltando ao Piauí, naquela terra todo mundo é humorista, faz piada de tudo e principalmente da dificuldade, e isso influência minha atitude no palco, minha fala e minhas músicas também. Acho que o humor é um diferencial na minha personalidade musical. Sou uma cantora e compositora com humor!

Ouvi alguma coisa de fora, claro, mas minhas verdadeiras influências são brasileiras, mesmo quando componho um rock, vem de algum lugar do Brasil.

Vinha dando mais ênfase a minha vertente de ritmos brasileiros, como o afoxé, por exemplo, e ao meu humor. Mas no cd Do outro da lua, a coisa se amplia. Descobri remexendo no meu baú que tinha guardado canções muito fortes, diferentes em matéria de ritmo, melodia, harmonia e estilo literário, que mereciam vir à tona pra dar maior amplitude a minha imagem e ao meu trabalho. Tinha blues, tinha samba, rock progressivo, tango… Então pensei: – Esse é o meu outro lado! Um lado escondido que merece vir pra luz! O OUTRO LADO DA LUA, O OUTRO LADO DA MELLODI. Seria a Patricia sim, mas com outra roupa do meu guarda-roupa que ainda não tinha mostrado a ninguém.

Letras densas e tons menores fazem deste cd um cd mais dramático, e bem diferente dos meus outros.
Arriscaria até chamar de popular, daqueles dos bons que falam sem piedade da sua dor, da sua paixão, do seu amor, mas a forma é cult, os arranjos são elegantes e suscintos, o que não deixaria a critica chamar de brega de forma alguma, muito pelo contrário.

Nas fotos e também no show, o clima será baseado no cinema noir, uma mistura de paixão, mistério e glamour.

Como diria meu irmão Onofre: – Um chifre, uma dose de whisky e esse cd… Sei não!