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SÓ ME METO EM ROUBADA, MAS É POR AMOR

sexta-feira, junho 11th, 2010


Trecho do monólogo ficcional escrito por mim
(faça-me o favor de não tentar me ver no texto!)

Numa coisa as pessoas tinham razão, eu vivia me metendo em cada roubada! Tive relacionamentos com pessoas estranhíssimas. Cantora adora namorar músico, afinal é difícil namorar uma pessoa normal, dá problema de incompatibilidade de horário, pois enquanto você dorme, ele trabalha e quando ele vai dormir, você sai pra trabalhar!

Eu namorei um pianista super pão duro que só me levava no cinema dia de quarta, por causa da promoção, mandava sempre embrulhar a fatia de pizza que sobrava pra tomar café de manhã, um saxofonista que fazia coleção de miniaturas e falava tudo no diminutivo:

– Minha namoradinha dá um beijinho na boquinha do seu amorzinho bonitinho, to com tanta saudadinha! Eco! Eu não gosto nem de lembrar desse aí que me dá arrepio. E ele nem era tão diminutivo assim!

Tinha um violonista marombeiro que tomava o todo o Toddynho da minha filha, um compositor que só aparecia bêbado, um baixista que morava com a mãe e era viciado em leite ninho, um regente de coral que me botava pra rezar de joelho…

Eu gostei desse regente de coral, mas tudo acabou quando ele disse que só ficava comigo se eu me confessasse com um padre amigo dele. Eu Hein!

Mas um certo cantor e guitarrista foi realmente o que mais me traumatizou. Vivia no meu pé querendo fazer sucesso junto comigo, pra onde eu ia, ele queria ir. Ficava me pedindo em casamento dizendo que eu era a Rita Lee e ele era o meu Roberto de Carvalho, que eu era a Sandy ele era o Júnior… Eu Hein, sai pra lá com esse papo de dupla! O mercado ta inchado de dupla! É Vitor e Leo, Rick e Renner, Don e Ruan, Willian e Bonner, Cosme e Damião… Como dizia minha velha tia: Casar com pobre é pedir esmola pra dois! Já ta difícil sozinha imagine com mais um do lado.

Eu já fui amante! E fui amante de um dono de bar, o Arnaldo. Ser amante é uma maravilha, mas é uma merda! Imagine de um dono de bar!

Ele só me encontrava de tarde, só me levava em lugares escuros e afastados, dia de domingo eu sempre ficava só com a televisão. E o pior é que ele me contava como era que enganava a mulher, dizendo que ia ter um encontro com um fornecedor de bebida pra me encontrar, e até hoje eu não confio em nenhum homem. Isso é praga minha gente!

Ser corneada é muito ruim, mas ser amante de dono de bar é muito pior! Nesse tempo eu comecei beber. Tinha cartela liberada no bar e era amante! Química perfeita pro vício. Esquecia as letras das músicas, caía na saída do palco, me declarava pro Arnaldo no meio da noite, até quebrei o dente no microfone! Um vexame total.

Eu estava totalmente descontrolada! Bebia no trabalho e fora dele. Minha conta de celular chegava um absurdo, pois era beber e ligar pra Deus e o mundo. Entrei até na comunidade do orkut “Quando eu bebo eu ligo!” Ligava pras minhas amigas, pra minha mãe, pros meus ex- namorados, até pra mulher do Arnaldo eu ligava de madrugada. Eu ligava, ela atendia eu desligava, eu ligava, ela atendia eu desligava, eu ligava, ela atendia eu desligava. Até que ela colocou um bina em casa e o Arnaldo terminou tudo comigo.

Eu achei foi bom, aquilo não tinha futuro mesmo! Nesse tempo foi a minha decadência amorosa. Era beber e me apaixonar loucamente. Todo homem era um gato.

Um ano depois cansei dessa fuleragem, traumatizada com os homens do ramos da música e da noite, casei com um veterinário.

Foi inesquecível. Meu ex- marido tinha uma delicadeza rural! Um dia eu tava grávida e carente e perguntei:
– Meu amor vc me ama?
E ele respondeu:
– Avalie se a gente se apega até a um cachorro!

E uma vez eu estava enjoando demais, ainda não sabia que estava grávida, acordei ele e falei:
– Eu to passando mal, to enjoada. E ele falou:
– Vai dormir mulé, que isso é verme!

Lógico, não demorou muito eu me separei. Mas sofri demais. Era conta pra pagar sozinha, vidro pra abrir, sacola pra carregar e o pior, dormir sem aquele pé quentinho do lado. – Em quem eu vou descontar minha TPM? pensava desesperada. E foram tantas roubadas que vieram depois que nem vale a pena contar.

Mas hoje é dia dos namorados e eu estou sozinha. Tenho saudades de todos eles. Só queria ganhar um presente, arranjar uma confusão no meio da noite, fingir que sou feliz pra sempre… Sei lá, as vezes mas vale um peito no sutian que dois na mão.