Archive for fevereiro, 2009

BLACKBERRY FIELDS FOREVER

quarta-feira, fevereiro 25th, 2009

De Patricia Mellodi

Vocês podem achar que eu sou uma ignorante, e eu sou mesmo! Não entendo nada de aparelhinhos eletrônicos. Aqui em casa até pra ligar o vídeo, quer dizer o DVD, eu peço ajuda pras minhas filhas. Não sei escanear nada, mal consigo lidar com o Word do meu computador. Até quando preciso imprimir alguma coisa mando um e-mail pro o birô que tem aqui perto, pra realizar o serviço pra mim.

No Natal eu ganhei um IPOD fantástico, lindo que tem quatrocentos e caralhadas de gigas (alguém pode me dizer o que é isso?). O meu marido me deu e disse assim:

– Vai ser muito útil, você está precisando.

Adorei, mas infelizmente não consigo colocar minhas músicas dentro, muito menos meus vídeos. Estou na dependência das crianças! Não entendo nada de download. Aliás, se a pirataria fosse depender de mim, coitada, estava frita! Ainda sou do tipo que compra CD em loja. Me dou super bem com meu CD man, nele eu consigo ouvir minhas musicas. Mas toda vez que saio com ele, alguém ri sacaneando meu trambolhinho. Só me dá certo trabalho quando quero fazer uma caminhada ouvindo música. Tento enfiar na bermuda, na mochila, mas o bicho fica pulando, saltando de faixa, é um horror! Acabo curtindo o barulho do transito.

Resisti muito a escrever no computador, meu negócio era papel e caneta. Tudo fluía bem, eu conseguia escrever páginas e mais páginas. O problema é que minha letra ficava meio ruim de ler do meio pro fim. E ter que depois traduzir meu hieróglifo, era dose! Bem, mas eu não sou tão boba assim, o computador foi se incorporando ao meu processo criativo e hoje eu já economizo algumas árvores do planeta num bom e claro Arial 12.

Venho sofrendo com a minha exclusão eletrônica há muito tempo. Fico imaginando que se eu que sou relativamente jovem passo esses perrengues, fico imaginando a minha avó. Gente, o mundo mudou demais de um tempo pra cá! Quando minha primeira filha nasceu não existia nem internet, nem celular, e isso só tem quinze anos! E falando em internet, outra coisa que ainda não consigo usar e que, aliás, confesso, odeio, é esse tal de MSN.
Quando eu entro por descuido, começa:

– Plim, plim, plim!

Duzentas mil janelas abertas e trocentas criaturas digitando loucamente e com diversos assuntos, todos ao mesmo tempo agora!
Pára com isso! Eu não tenho essa destreza com o teclado e muito menos consigo manter dez, vinte conversas ao mesmo tempo com coerência. Isso é coisa pra adolescente!

O celular é mais do meu perfil, pois eu sempre fui chegada a uma conversa ao telefone. Já entrei pelo cano várias vezes com contas astronômicas em função de pulsos excedentes, interrurbanos, 102… Mas realmente não ligo pra modelo de aparelhos. Tinha um apego enorme ao meu Motolola tijolão. O primeiro celular ninguém esquece! Eu paguei dois mil e quinhentos reais só pela linha! Pode? Mas aí eu fui mudando de aparelho, mudando, mudando… Não por que eu quisesse ostentar, mas para não parecer ridícula com o meu brontossauro por aí. Na verdade eu compro um celular hoje e daqui a um ano ele já é um ser em extinção. Tudo é muito rápido, não dá nem tempo e pagar as doze prestações e já estou fora de moda. Dizem que é símbolo de status. A pessoa é o celular que tem. Eu no momento sou assim meio “chocolight!” E você?

Bem, mas o sucesso da ultima semana é um tal de Blackberry. E-mails, torpedos e ligações num só aparelho. Todo mundo quer e faz qualquer negócio pra ter. Pras pessoas que viajam, fazem negócios na bolsa de valores, não tem tempo de responder seus e-mails e aproveitam entre um voo e outro, pra resolver suas pendências virtuais, eu aconselho, compre o seu, é ótimo!
Mas o meu caso não é esse e eu odeio três em um! Não dá pra aturar um aparelho que vibra e toca toda hora por três motivos diferentes. É insano! E ainda tem gente que cadastra vários e-mails num aparelho só. Neguinho ta lendo e-mail na mesa do bar, na hora do sexo, na cena final do filme, na missa… Ta indo dar aquele mijadinha e não larga o tal do Blackberry!

Fico imaginando o motivo. A mãe deve esta nas últimas! A filha a adolescente esta numa festa esquisita! O neném recém nascido ta casa com uma babá nova! O chefe costuma ligar e enviar e-mails de madrugada! Ele é médico plantonista! Sei lá pode ser tanta coisa. Cada um com seus motivos.

Mas eu continuo assim, atrasada, sem entender direito das coisas, uma ignorante, pode chamar, mas boba eu não sou não, um I PHONE com certeza eu vou comprar.

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LIMPANDO O TERRENO

terça-feira, fevereiro 17th, 2009

De Patricia Mellodi

Sinceramente, não sei se todas as donas de casa sofrem como eu, mas ultimamente estou em desespero.

Tudo nessa casa acaba! Principalmente o sabão.

Eu faço as compras com toda a projeção de gasto, calculando direitinho as lavagens de roupa da casa, mas antes do final do mês, vem a insensível da empregada me dizer:

– D. Fulana acabou o sabão!

Puta que pariu! Ela deve estar comendo sabão, não é possível!

Quem é que pode trabalhar em paz, ter sossego pra exercer suas outras funções com tanta coisa pra comprar? Por isso que uma tia minha dizia:

“Quem não presta pra nada, presta pra casar!”

Claro! A pessoa que tem que ir pro supermercado várias vezes por semana, que tem que dar conta de tantos detalhes, não pode ter outra ocupação! Tem que ser só “Do Lar.”
Depois ainda reclamam que a mulher quer ser sustentada pelo marido! Pudera! E dá tempo de ganhar dinheiro? Só dá tempo de gastar dinheiro! E o pior que não é com roupa, nem com jóias, nem com cabeleireiro, é com sabão! E mesmo com todos esses gastos, a casa ainda não fica limpa direito.

– Essa cozinha ta imunda, Dalva!
– Ah, mas também! A senhora não comprou veja desengordurante!

Veja desengordurante? Era só o que me faltava.

No tempo dos meus pais, a lista de material de limpeza era sabão em pó, sabão em pedra, água sanitária, cera e no máximo um óleo de peroba. Mas agora elas querem Vanish, Ajax limpeza pesada laranja limão concentrada, Pato Purific, pasta neutral, Omo progress total, vidrex, Diabo verde, brilho fácil… Nem encerar essas pessoas querem!

Naquele tempo elas ficavam de joelho passando cera no chão de quatro, pra alegria dos adolescentes, e ainda dava o brilho com os pés quando não tinha enceradeira. E a casa ficava um brinco. Podia passar o dedo nos móveis que não tinha um pingo de pó. Agora o problema da casa suja é a falta de produtos de limpeza!

A indústria da limpeza cresce as nossas custas e à custa do consumismo dessas pobres moças domésticas, que não podem ver um comercial de detergente que no dia seguinte começam a querer que tenha na casa da gente.

E não compra não, pra você ver o que acontece!

Tú é uma mulher, ou um rato?

segunda-feira, fevereiro 9th, 2009

De Patricia Mellodi

Sempre diante das dúvidas, sempre passando por questionamentos, sempre diante da minha pequenez e das coisas que preciso mudar…

Desde que aprendi a filosofar(pensar), desde que fui a primeira vez ao analista e principalmente no convívio de pessoas que por bem ou por “mal” me colocam um espelho na cara, tenho crises.

Nunca fui dada a depressão, mas a maturidade às vezes vem acompanhada de medo, síndrome de pânico, angústia, paralisia diante da vida.

Às vezes me sinto uma paraplégica, uma pessoa amordaçada e amarrada numa cadeira à espera da decisão de um sequestrador, uma pobre coitada. Às vezes tenho tanta pena de mim, que choro por mim!

Viver não é fácil, exige coragem e uma dose de “egoísmo”, que os altruístas chamam de amor próprio.

Fui criada no sistema: “ao próximo como a ti mesmo!”
Mas sempre o próximo parece ter mais força que eu.
E eu passiva(embora ativa), me recuso a colocar as coisas no seu devido lugar:

NÃO! Pode parar! Agora é minha vez! Comigo não! Vai pra porra!

Assim, os filhos passam por cima, os amigos passam por cima, a empregada passa por cima, o chefe passa por cima, o marido passa por cima, e eu me finjo de forte, de abnegada, caridosa, generosa, gente fina, uma pessoa que releva, compreende em nome de um bem maior.
Mas no fundo, me torno uma fingida, magoada, raivosa, principalmente doente da cabeça e da alma. Concessão tem limite!
Que complexo de inferioridade é esse? Que carência é essa?

Por medo de romper com as relações (de várias naturezas), eu rompo com meus sentimentos, me anulo, faço a opção pelo “mais fácil”, quer dizer mais cômodo(Pra quem?) Abro mão de quem eu sou, guardo minhas dores num lugar secreto e abro um sorriso fingindo que sou feliz!
E ainda tem gente que tem inveja de mim! Pobres coitados!

É verdade que essa minha atitude de tentar manter a paz ao meu redor, é bem louvável, mas tem uma voz gritando no meu pé do ouvido:

E você, pô?

Me sinto dizendo sim para um lado e dizendo não para outro. Deixando os outros acomodados, confortáveis, mas deixando de existir aos poucos.

Acho que preciso pensar… Ou melhor, preciso agir!
Ei, tu é uma mulher, ou um rato?