Archive for junho, 2007

AMIGOS DO BLOG!

terça-feira, junho 12th, 2007

ESTOU ENTRANDO PARA UM GRUPO DE ESTUDO COM ESCRITORES JÁ EXPERIENTES E MINHA PRIMEIRA TAREFA FOI LEVAR UM CONTO PRA ANALISE DO GRUPO.
RESOLVI POSTAR HOJE AO INVÉS DE CRÔNICA, OU DEPOIMENTO, UM CONTO.
QUASE NUNCA ESCREVO FICÇÃO, MAS QUERO IR ALÉM DOS MEUS LIMITES NA ESCRITA.
VOCÊS SÃO MINHAS ADORÁVEIS COBAIAS.

MUITO OBRIGADA
P. Mellodi

A CIGARRA E A FORMIGA!

terça-feira, junho 12th, 2007

conto de Patricia Mellodi

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Dos sonhos que Ana conservara dos tempos de criança, um era especial e secreto. Um sonho recorrente abafado por força maior.
Nunca quis casar, mas casou, nunca quis ter filhos, mas teve três, nunca gostou de cozinhar, mas se tornou especialista em culinária mineira, tinhas dons artísticos, mas se tornou uma secretária executiva numa grande multinacional. Apesar de ser apaixonada por francês, aprendeu inglês por ser mais útil. Seu livro predileto na juventude era Dom Quixote, mas no dia a dia não lhe sobrava muito tempo pra leitura, sua vida era uma vida prática e urgente. Quando possível no metrô a caminho do trabalho ela se divertia com livros de auto-ajuda. Mas isso não era infelicidade e sim uma adaptação à realidade, uma inteligência necessária. Ela era invejada por suas amigas, tinha um marido bem sucedido, filhos, trabalho e uma beleza sensual que insistia em lhe pertencer mesmo com os anos. Mas na verdade ela era mesmo uma especialista em se auto-contrariar e ser feliz.
Sempre se aprimorava em seminários, workshops, afinal no seu escritório a competição andava bem acirrada, uns querendo engolir os outros e ela não poderia se dar ao luxo de ser passada pra trás. Ana dava muito valor ao seu trabalho e tinha medo, pois sabia o significado do desemprego.
Não se podia dizer que Ana era uma mulher retrógrada, pois ela era uma legítima mulher do século XXI. Tinha amigos, independência financeiramente, família, amor e sua vida cotidiana estava muito além de receitas de bolo. Ela era uma mulher de verdade.
Já no seu íntimo as coisas tinham vida própria, fugiam do seu bom censo. Se a deixassem realmente sozinha por dois minutinhos, lhes vinham desejos e pensamentos “absurdos”! Era o real e o ideal se confrontando, dando a certeza das duas faces do humano, a aparência e a sombra. Bastavam dois minutinhos somente e vinham lembranças de seu antigo namorado e de suas noites intermináveis de sexo e romance, lembrava de como planejava conhecer o mundo, de como seria bom uma flexibilidade maior nos seus horários, de como era sexy e desejada por todos noutros tempos, mas principalmente sonhava, sonhava o seu velho predileto sonho, ser ela mesma. Mas nunca lhe sobrava mais que dois minutinhos pra devanear, pois era logo interrompida por seu patrão ao telefone, seu marido, ou seus filhos, sempre lhe solicitando alguma coisa. Nunca, nem ela mesmo entendia sua natureza selvagem tão submissa, obediente às regras da vida. Mas se aceitava, pois apesar disso a impedir de mudar as coisas ao seu redor, isso mantinha tudo no seu devido lugar e lhe realizava o desejo primitivo de ser comandada por energias masculinas.
Sonhava muito com a verdadeira Ana! Pra falar a verdade às vezes se perguntava: “-Quem é mesmo a verdadeira pessoa que eu sou”?-Será que estou me dissolvendo nas escolhas “convenientes” que fiz? -Será que ainda existo nos escombros dessa figura em que eu me tornei? -Ou será que sou isso mesmo e que me fantasio de outra pra parecer menos insossa?
Ela Fazia tudo como mandava o figurino. Prestimosa secretária, esposa amante, fiel e amiga, mãe daquele tipo maezona, quase perfeita.
Desde criança Ana ouvia uma máxima de uma tia avó louca da família: – Minha filha a vida é assim, você larga um homem que é doido, pra um que come merda! E essas palavras martelavam no seu juízo e faziam de Ana uma mulher conformada em transformar sua paixão foguenta em amor terno e isso se reverberava também em outros âmbitos de sua vida.
Antonio não era um marido ruim, longe disso. Era gentil, charmoso e bem sucedido, mas no amor marital ele era do tipo preguiçoso. Só uma amante fora do casamento o animaria. Inconfessavelmente Ana desejou ser traída várias vezes. Talvez isso devolvesse calor àquela relação e desse motivos reais pra ela sair ou ficar ali pro resto da vida. Foi-se o tempo da bonança erótica, pensava! Agora a libido jaz no sofá da sala vendo novela! Mas Ana dava muito valor ao seu casamento e tinha medo, pois sabia o significado da solteirice.
Filhos, filhos! Desejava matriculá-los no colégio interno! Tão bonitinhos quando pequenos, mas viraram adolescentes cheios de opiniões! Mas eles também eram adoráveis e de fato eram o motivo maior de continuar firme no propósito de mulher perfeita. Ana dava muito valor a sua família e tinha medo, pois sabia o significado da solidão.
– Ana, acorda! Ana, Ana! Você está atrasada Meu amor!
– Hum, que horas são?
– São seis da Tarde! Você ainda tem uma entrevista antes do espetáculo. Não é bom a aparecer com essa carinha amassada!
– É que eu tive uma insônia louca depois de todos aqueles vinhos e daquele papo cabeça sobre Zaratustra e só conseguir pregar o olho às dez da manhã! Nossa Roberta, eu tive um sonho que nem te conto! Até agora estou confusa. Vem cá, me dá um beijo!
– Pára Ana, você vai se atrasar!
-Então eu vou dormir mais cinco minutinhos!
–Ana, você deveria dar mais valor ao seu trabalho! Você ainda não se deu conta do significado dessa temporada na Europa! Não confie tanto na sorte! Você parece que não tem medo de nada!
– Está bom, ta bom, eu vou levantar. Você sabe que eu obedeço você! Mas promete que nunca vai me trair nem em pensamento Mon Amour?
– Eu hein! Você está estranha!

EU ME SINTO TÃO SOZINHO!

terça-feira, junho 5th, 2007

Isso não é uma carta penosa de desabafo sentimentalista, talvez seja uma tentativa de contato imediato de último grau comigo mesmo e com os amigos que gostaria de ter aqui agora nesse momento esquisito.
Talvez possa ser você a pessoa que eu preciso pra conversar. Será que pode me entender? Será que pode sentir o que eu sinto? Ver o que eu vejo? Se “sensibilizar” com as regras desse planeta?
Eu estou tão sozinho! Minha voz parece fraca, distante, minhas ações com pouca força, meus planos irrealizáveis, meus conceitos sem validade e minha língua é o latim, língua morta. Somente o meu pensamento atravessa muros e procura o mundo com outros desejos, com outros valores. Quem serão meus verdadeiros conterrâquios? Onde eles estão? Procuro um amigo que possa me ouvir, que possa junto comigo construir “coisas” imperecíveis. Adoro essa palavra, Imperecível! Nela eu encontro o verdadeiro sentido de imortal. O desejo da imortalidade não está no corpo, mas no pensamento. O pensamento, creio eu, ser a única coisa que resta depois da morte. Pensamento= a Alma.
Sou ignorante das coisas da vida na terra, dos livros, das artes, da ciência, mas sinto o desejo de possuí-las, de penetrá-las, de gozar desse universo de sabedoria incessante: -“Quando mais se sabe menos se sabe”.
A minha solidão vem do fato de que eu não vivo muito feliz no raso. Nunca quis morrer na praia!
Mas voltando ao pensamento, pensamento lembra idéias, idéias = a criatividade e criatividade sugere novo e novo= a futuro, o futuro = a esperança que é = a VIDA e não há vida em silêncio. “O verbo se fez carne…”.
Na verdade não existe nada novo, tudo é uma síntese, uma nova leitura, uma negação de alguma coisa já preexistente, mas de certa forma qualquer tentativa inventiva é vida, por isso é novo.
Disse “inventiva” e não “cópia”!
Não existe nada mais morte e solidão que um mundo de repetições, de repetições no raso. Vejo com esses olhos que Marte há de comer, um redundante desejo raso de “possuir” a vida.
E nós num tal de homeostase como disse o biólogo!
Preciso de amigos que tenham nave! Amigos que não concordem comigo, mas que mirem na mesma direção, na direção do alto.
Estamos envelhecendo! Quem se habilita a tomar chá olhando as estrelas?
Pra que essa busca louca e irracional por coisas que o vento leva? Nada nos pertence mesmo, nem nós mesmos! O corpo é temporário, é emprestado, daremos conta dele ao dono no final. No tempo cósmico não sobra nada além das idéias, do pensamento. E o pensamento mora nesse corpo de seu usufruto. Vale tanto investimento na casca alugada?
O homem é bom e eu sei cada dia mais disso. E sei que em geral o homem está triste porque na essência da sua alma, do seu pensamento, o homem foi feito pra criar, pra ser Deus e não macaco. Macacos não me mordam!
Apesar de saber que entra e sai dessa galaxia sempre sozinho e nem sempre melhor, O homem foi feito pra se superar e viver acompanhado.
Preciso de um amigo que me contrarie com os olhos do amor e queira viver e crescer a imagem e semelhança de Deus, o Criador.
Amigo, você está me ouvindo?
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