Archive for março, 2007

FAÇA ALGUMA COISA PELO NOSSO AMOR!

terça-feira, março 27th, 2007

blog02.jpgSe existe algo que me perturba é me ver gorda, domesticada e de luzes acesas. Sinceramente tenho alma de amante. Furtiva, alegre, temporária e difusa.
Sou daquelas que jamais declaram seus verdadeiros desejos. Eu me sinto meio sacro-profana. Se eu pudesse contar o que passa na minha cabeça, ainda assim não contaria. Guardaria meus segredos nas sombras da fantasia.
Meu ponto “G” sussurra suplicante: – Fala, fala comigo, me conta uma novidade, me conta uma historinha, me ensina alguma coisa… Ele é todo ouvidos! Adora essas doces mentiras, esses jogos amorosos, esse potente órgão sexual, a imaginação! Essa imaginação à meia luz… Sei não!
A claridade potencializa a soda cáustica da rotina, coroe a beleza e os lençóis da nossa cama. Não estou falando das idiossincrasias do relacionamento amoroso, elas são deliciosas e pedem bis. Conchinhas, massinhas, pezinhos, sarrinhos, beijinhos… Só não me venha com beijo na testa! Essa eu quero é se dane!
Orgasmos pra mim são como chuva, às vezes ameaça, às vezes só chuvisco, às vezes torrencial, mas em dias quentes sempre possibilidade. Mas antes deles, a fome. Não basta comida, eu quero é fome!
O que uma mulher realmente quer, eu sou mulher e realmente não sei. Mas sei que quero o presente, noites envolventes, velas, flores, surpresas, desejo al dente, quero não saber, quero dúvidas e certezas, quero ser a gostosa do comercial de cerveja e quero que meu homem “meu” realmente seja, que me veja e que se faça visto de preferência sob uma luz que favoreça.
No caso de não ser possível nada disso, peço que o meu homem arranje pelo menos uma briga comigo, me jogue na parede, pise nos meus calos, mas me faça alguma coisa!
Há quem diga que sou mesmo egoísta, insaciável, insatisfeita, fotofóbica, mas sei que sou mesmo uma mulher. Torturo meu homem com minhas angústias cósmicas hormonais pulsantes diariamente por imposição de um gene ancestral.
Sempre que sou exposta a luzes de 60 watts fico assim.
Se amante fosse, tal qual minha natureza sugere, numa meia luz, 25 ou 30 watts no máximo, com John Mayer baixinho ao fundo e meu gene sob controle, eu somente o faria vaidoso, satisfeito e feliz. Imaginaria nossas noites de mil modos. Mesmo sendo branca as diversas cores do mundo pousariam na minha pele, as diversas falas domariam a minha língua, satisfaria o desejo de variedade sem o fantasma da coisa mais CARETA do mundo, a traição.
Estaria sempre loura, linda e nua.
Mas exposta ao clarão do dia a dia e ao som dos ruidos da televisão, confesso que vejo demais, escuto demais, falo demais… Calo.
E na certeza de um mais tarde dormimos mais cedo, com um amanhã garantido, mas com o hoje perdido!

Pelo amor de Deus, faça alguma coisa pelo nosso amor:
Compra um abajur!

Ass. Maria Madalena Chica da Silva Xavier,
UMA MULHER COMO OUTRA QUALQUER

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Eu e o Jô!

terça-feira, março 20th, 2007

Eu no Programa do Jô

Minhas pequeninas memórias!

terça-feira, março 13th, 2007

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Como nada se cria tudo se copia, não me sinto intimidada de ter uma idéia a partir do meu mais novo caso de amor, o autor José Saramago.
Este final de semana li seu livro chamado “As pequenas memórias”. E confesso que me encantei logo nas primeiras páginas. As ideais, o universo interior, simples e erudito ao mesmo tempo. Um gênio, um escritor de primeira grandeza, onde coloco na minha prateleira ao lado de Gabriel Garcia Marques e Jorge amado.
Logo de cara ele vai dizendo assim: “Sem que ninguém tivesse se a percebido, a criança já havia estendido gravinhas e raízes, a frágil semente que então eu era, havia tido tempo de pisar o barro do chão com seus minúsculos e mal seguros pés, para receber dele a marca original da terra…Só eu sabia, sem consciência de que o sabia, que nos ilegíveis fólios do destino havia sido escrito que ainda teria de voltar à Azinhaga para acabar de nascer.”
Bem, ele nasceu em Azinhaga interior de Portugal, às margens de dois rios, o Tejo e o Almonda. Para melhorar de vida e ter melhores condições de estudo e trabalho, sua família mudou-se pra Lisboa.
Mas seus pais nunca poderiam imaginar que o fato de Zezito ter nascido naquele lugar poderia deixar marcas tão profundas, afinal foi embora de sua terra natal com somente dois anos de idade.
Algumas pessoas não sabem, mas eu nasci no Rio de Janeiro e cresci em Teresina no Piauí. Assumi a condição de Piauiense por uma questão de sangue, afinal toda a minha família é de lá. E por que por lá vivi parte da minha infância, minha adolescência, tive minha filha e iniciei minha carreira artística. Acho justo e confesso que acho diferente e charmoso a alcunha de Piauiense! Mas quando li esse trecho do livro, me reportei a uma época em que na minha cabeça só passava uma coisa: Voltar pro Rio de janeiro!
Achava sinceramente que aqui realmente acabaria de nascer. Que aqui construiria a vida que me foi interrompida quando os meus pais resolveram voltar pro Piauí por pura saudade.
Fecho os olhos e me sinto pequenininha na praia do Leme, sinto o cheiro da maresia característica daquela praia. Lembro que assistia o bloco do Cachorro cansado desfilar na Marques de Abrantes do apartamento da minha tia, não agüentava só olhar e caia no samba. E foi ali que dei minhas primeiras reboladas! E olha que eu tinha jeito!
Ainda sinto o gosto do feijão preto da Dona Mara, uma Preta maravilhosa que trabalhava na casa da minha tia. Ela acreditava que o ator em que o personagem morria na novela, morria de verdade. Chorava de pena. “-Pobrezinho, entrou na novela só pra morrer!” Coisas de um Rio de Janeiro de outros tempos! Os tempos da minha primeira infância.
Ah! Preciso falar que aos domingos almoçava na Majórica com meu pai e disso não há como esquecer.
Mas eu fui embora com cinco anos e a minha vida só estava começando.
Agora vem a maior parte, o calor, a fazenda do meu avô, as primeiras dificuldades de relacionamento na escola, minha primeira comunhão, a separação de meus pais. Foi tudo muito intenso.
Das lembranças que não me saem da memória, é ver meu avô tocando acordeom, minha mãe e meus tios maternos entrando noite adentro na seresta de Roberto Carlos, esperar na fila com caneca na mão o leite mugido, o primeiro beijo que dei em plena festa de são João, o dia que andei em cima do telhado do vizinho com meu irmão Onofre, o dia em que esse irmão salvou minha vida me segurando pelos meus cabelos impedindo que eu fosse levada pela correnteza do rio Parnaíba, o castigo do joelho no milho que meu pai me deu, o dia em que tentei matar minha avó jogando uma manga do alto da mangueira, as manhãnzinhas frias quando ficava de cócoras na beira do fogão a lenha vendo a mãe Jovita fazer arroz doce, as marias-chiquinhas apertadíssimas que minha mãe colocava no meu cabelo, o meu eterno desejo nunca realizado de possuir um all star, um perfume do boticário, um condicionador Balance, o cheiro insuportável do xampu de mel que meu pai comprou uns 50 litros só pra comprar mais barato, as nódoas de caju nas minhas roupas, o dia em que levei uma surra porque raspei minhas pernas com o prestobarba do papai, as crianças pobres da fazenda correndo peladas ao redor do nosso carro, o dia em que vi a cena mais fotográfica da minha vida, uma mulherzinha sofrida com um machado na mão quebrando coco babaçu no meio do mato em frente a uma casa de palha… Impossível de esquecer.
Assim, sou eu, uma mistura de Leme com os Estados Unidos do Piauí.
E aqui estou no Rio de Janeiro terminando de nascer.
Se digo que sou de lá, o povo de lá diz que sou daqui, se eu digo que sou daqui, o povo daqui diz que eu sou de lá!
De onde serei eu?
Talvez só de mim mesma!

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Enfim, nós!

terça-feira, março 6th, 2007

CorpoHá quanto tempo eu não paro pra escrever? Há quanto tempo eu não paro em frente ao computador com uma idéia de uma crônica me perturbando o juízo? Há quanto tempo eu não perco uma noite de sono consumida por uma música que quer nascer na base do fórceps?
Às vezes ficava tão difícil de nascer que eu pedia uma pizza, só pra pedir junto uma carteira de cigarros pra dar um trago, relaxar e parir a idéia. Detalhe é que eu nem fumo normalmente.
Mas a barriga cheia é uma cegueira, um período infértil. Tenho andado muito satisfeita pro meu gosto. Achando tudo muito legal! As vezes simplesmente achando que tudo é isso aí mesmo!
A fome, digo num sentido mais amplo que a da barriga, sempre foi pra mim uma parceira instigante, uma lupa, um mecanismo de criatividade incrível. Um catalisador humano, político e artístico que sempre me moveu a dar passos à diante como pessoa.
A dor é minha amada companheira de viagem. Viagem no sentido vital e lisérgico da palavra. A ilusão vivida transformada em poesia!
Por que no fundo até quando a gente ama e é correspondido, dói.
Aí é que dói mesmo! O ser amado toma a forma de espelho e é nesse “espelho em que eu vejo a minha mágoa”… Bem, é claro que depois desse silêncio, eu não viria a escrever a primeira crônica do meu blog, movida por conforto, por conformidade… É lógico que como sempre e digo isso até com certo orgulho, estou aqui novamente motivada pela minha insatisfação, pela minha fome.
Mas Aprendi com Allan kardek, Chico Xavier, Zíbia Gasparetto, Sai Baba, Tia Enedina, e outros seres astrais dos nossos tempos mais próximos, que reclamar não está com nada. Mas tenho que dizer que certas coisas estão me provocando umas sensações de náusea constante.
Ultimamente eu ando muito enjoada. Assisto TV fico enjoada, ouço o rádio fico enjoada, leio o Jornal choro e fico enjoada!
As pessoas falam: – Patricia você ta muito enjoada!
E o pior é que é verdade!
Eu to grávida!
Gestando uma vida. E nessa hora você enjoa mesmo, escolhe involuntariamente o que vai pôr pra dentro do seu corpo e racionalmente estou analisando esse movimento sagrado da vida.
Nesse estado de graça, enjoada, emotiva, SELETIVA, desejo muito viver num mundo mais profundo e de valores não perecíveis. Desejo alimentos melhores pra todos nós.
Desejo tanto que sinto até dor física.
Olha a dor amiga de novo! E agora comparo essa dor, com as dores do parto, que precedem à chegada de um novo ser ao mundo.
Por isso digo carinhosamente ao invés de reclamar: – Sei que sou e o meu filho será o que “eu” ponho pra dentro de mim, seja comida, música, filmes, livros, jornais, programas de televisão, bebidas, conversas, fluidos sexuais, energias, enfim tudo o que alimenta o nosso corpo, nossa alma, nossos espírito, os nossos sonhos.
A pergunta que não quer calar:
– O que é que a gente está pondo pra dentro?

Beijos no coração
Mamãe Mellodi
Grávida